Após saída de cubanos, Mais Médicos tem 1.052 desistências em 3 meses

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Doctor with a stethoscope in the hands and hospital background.

Com a retirada do governo de Cuba do programa Mais Médicos em novembro de 2018, mais de 8 mil vagas em hospitais foram abertas. No começo desse ano, 7.057 vagas do Programa foram preenchidas, o que corresponde a 82% de um total de 8.517 posições oferecidas pelo Ministério da Saúde.

Entretanto, cerca de 15% dos médicos brasileiros que entraram no Mais Médicos, após a saída dos cubanos, desistiram de participar do programa nos primeiros três meses. Conforme levantamento da Folha de S.Paulo, algo em torno de 1.052 profissionais que assumiram entre dezembro de 2018 e janeiro deste ano já deixaram as vagas.

Segundo o Ministério da Saúde, a maior parte dos abandonos do programa foi registrado em cidades com 20% ou mais da população em extrema pobreza, ou seja, àqueles que mais precisam de atendimento. São 324 desistências, ou 31% do total. Logo atrás desse índice estão capitais e regiões metropolitanas, com 209 desistências, ou 20%.

Em nota, o Ministério da Saúde diz que as vagas oriundas das desistências “poderão ser ofertadas em novas fases de provimento de profissionais ainda em análise”.

Em audiência no Senado na última semana, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que a previsão é enviar ao Congresso um novo projeto para substituir o Mais Médicos ainda neste mês de abril.

O programa

Instituído pela Lei nº 12.871, de outubro de 2013, o Programa Mais Médicos visa a melhoria do atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Além de levar mais médicos para regiões onde há escassez ou ausência desses profissionais, o programa prevê mais investimentos para construção, reforma e ampliação de Unidades Básicas de Saúde (UBS), além de novas vagas de graduação, e residência médica para qualificar a formação desses profissionais.

Conforme o artigo 1º da referida normativa, são objetivos do Mais Médicos:

I – Diminuir a carência de médicos nas regiões prioritárias para o SUS, a fim de reduzir as desigualdades regionais na área da saúde;

II – Fortalecer a prestação de serviços de atenção básica em saúde no País;

III – Aprimorar a formação médica no País e proporcionar maior experiência no campo de prática médica durante o processo de formação;

IV – Ampliar a inserção do médico em formação nas unidades de atendimento do SUS, desenvolvendo seu conhecimento sobre a realidade da saúde da população brasileira;

V – Fortalecer a política de educação permanente com a integração ensino-serviço, por meio da atuação das instituições de educação superior na supervisão acadêmica das atividades desempenhadas pelos médicos;

VI – Promover a troca de conhecimentos e experiências entre profissionais da saúde brasileiros e médicos formados em instituições estrangeiras;

VII – Aperfeiçoar médicos para atuação nas políticas públicas de saúde do País e na organização e no funcionamento do SUS; e

VIII – Estimular a realização de pesquisas aplicadas ao SUS.

Números do programa Mais Médicos

7.120 médicos brasileiros ingressaram em duas rodadas de seleção abertas após o fim da participação de Cuba;

1.052 desses profissionais deixaram as vagas; e

1.397 médicos brasileiros formados no exterior também foram selecionados para o programa.

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