Telemedicina: a realidade que é criticada

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Mesmo criticada e sofrendo diversos ataques das entidades, a telemedicina já é uma realidade no país em serviços públicos e privados.

A principal diferença é que, agora, o serviço de consultas e até cirurgias a distância deve passar por nova expansão.

A Telemedicina na prática

Na prática, muitos médicos já fazem consultas online de maneira informal por meio de plataformas como WhatsApp, Messenger e Facetime. Pacientes mandam fotos de problemas na pele para dermatologistas, por exemplo, resultados de exames e dúvidas sobre a prescrição de tratamentos e, em troca, recebem orientações.

Outros serviços, como as teleconsultorias e teletriagens, também têm sido usados por hospitais e planos de saúde.

“A telemedicina já era praticada por várias operadoras. Só não havia regulamentação“afirma José Coechin, da FenaSaúde, federação que reúne as maiores operadoras de planos de saúde do país.

A regulamentação da Telemedicina

Para José Coechin, a nova norma deve aumentar a segurança para empresas, médicos e pacientes e permitir a ampliação de serviços na rede de saúde.

Um dos serviços de telemedicina mais usados hoje são as chamadas teleinterconsultas, em que um médico divide o atendimento com outro profissional em busca de uma segunda opinião. Esse modelo já era regulado pelo Conselho Federal de Medicina.

Outros atendimentos que envolvem contato de médicos e pacientes, como a teletriagem e a teleorientação, têm ganhado impulso no país mesmo sem regulamentação. Nesses casos, o paciente liga para uma central e tiras dúvidas com o clínico geral ou especialista sobre que caminho seguir no sistema de saúde.

Na SulAmérica, esse modelo é oferecido desde o fim de janeiro com foco na teleorientação pediátrica. Pais de crianças de até 12 anos podem conversas com pediatras por videoconferência até duas vezes ao ano por um aplicativo.

Apesar da semelhança, a diretora de sinistro em saúde da operadora, Erika Fuga, nega que a situação configure uma consulta formal e diz que os atendimentos são rápidos. “A ideia é tratar casos simples, em que a mãos precisa de orientação. Às vezes ela está em dúvida e não tem noção da gravidade do quadro”.

Após a avaliação, a operadora pode enviar um médico para a casa do usuário ou indicar uma ida a um pronto-socorro, caso haja necessidade.

O Serviço está disponível para 91 mil usuários, mas a intenção é expandir para cerca de 2 milhões. “Estamos aguardando o fim das discussões”, diz Fuga sobre a perspectiva de revisão das normas pelo Conselho Federal de Medicina.

Outras operadoras também acompanham as discussões do CFM para implementar os planos de expansão dos serviços de telemedicina guardados na gaveta. É o caso da Omint, segundo o diretor médico Marcos Loretto.

“É preciso que fique muito claro que a telemedicina é uma ferramenta e não substitui o profissional. Da mesma forma que o médico que usa o estetoscópio para examinar, ele vai poder usar a telemedicina para auxiliar no dia a dia”.

A maior parte das críticas à regulamentação da telemedicina diz respeito às consultas não presenciais e à segurança dos dados. Segundo o texto inicial, a teleconsulta só pode ocorrer após um um primeiro contato, com exceção das populações em áreas geograficamente remotas, para as quais o atendimento pode começar já de modo virtual.

A diminuição dos custos

O economista Paulo Furquim de Azevedo, do Insper, diz que o uso das novas tecnologias pode reduzir custos em saúde. Scheibe, da Abramge, concorda.”se isso evoluir como esperamos, vai trazer mais agilidade e poderá evitar internações”.

Dentro do setor, a expectativa é que os procedimentos online sejam mais baratos que os presenciais. Em nota, conselhos apontam risco de mercantilização da medicina.

O vice-presidente do CFM, Mauro Ribeiro, afirma que, apesar de atender também a rede privada, a resolução foi pensada com foco no SUS, sobretudo em áreas distantes. “Essa modalidade não é para um grande grupo privado fazer telemedicina em Brasília”, disse. Ele afirma que a resolução pode ser corrigida para evitar distorções.

 

Fonte: Estadão

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