Novo medicamento para o tratamento de esclerose múltipla aprovado pela ANVISA

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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) aprovou o uso do medicamento OCREVUS® (ocrelizumabe), para o tratamento de esclerose múltipla.

A aprovação se deu após a publicação de três estudos científicos, na New England Journal of Medicine (NEJM). O NEJM foi fundando Dr. John Collins Warren em 1812 e é, atualmente, uma das publicações científicas mais prestigiadas na área da medicina.

Os estudos publicados demonstraram reduções relevantes na progressão esclerose múltipla, em suas duas formas.

Por exemplo, os pacientes participantes dos estudos tiveram uma redução significativa no ritmo de progressão da incapacidade para caminhar (29,4% em comparação aos voluntários que utilizaram o placebo). O tratamento com o ocrelizumabe também reduziu a necessidade da utilização de cadeira de rodas.

O diretor médico da Roche Farma Brasil, Lenio Alvarenga, afirmou que a aprovação do remédio traz esperança para pacientes com esclerose múltipla em que há progressão da atividade da doença e progressão da incapacidade, além de outros tratamentos disponíveis.

“Até agora, nenhum tratamento aprovado pelo órgão estava disponível para ambas as formas da doença EMR e EMPP. Acreditamos, considerando os estudos clínicos, que o ocrelizumabe tem o potencial de mudar o curso da doença e concretizar nosso objetivo de transformar o avanço no conhecimento científico em novas terapias que atendam às necessidades dos pacientes, nossa principal contribuição para a ciência e a sociedade”, completa Lenio. Os voluntários com esclerose múltipla remitente recorrente demostraram menor evolução da doença na função dos membros superiores e menos problemas na marcha.” Afirma o direitor.

A esclerose múltipla

A esclerose múltipla (EM) é uma doença autoimune e sem cura que afeta o sistema nervoso central e a medula espinhal dos pacientes, dificultando os movimentos motores das pessoas com essa doença.

Há quatro formas de evolução do quadro clínico: remitente-recorrente, primariamente progressiva, primariamente progressiva com surto e secundariamente progressiva.

A EM remitente-recorrente atinge a maioria dos pacientes (85% dos portadores) e caracteriza-se por exacerbações (surtos/ataques) seguidas uma melhora completa ou parcial do déficit neurológico (incapacidade).

Na Esclerose múltipla primariamente progressiva, o paciente tem a progressão da incapacidade neurológica desde o início da doença, ocorrendo períodos de estabilização. Diferente da primeira, não há surtos pontuais.

É possível, apesar de raramente, que o paciente desenvolva a EM primariamente progressiva com surtos. Nesses casos a doença evolui desde o início, mas também apresenta ataques, seguidos de melhora total ou parcial da incapacidade.

A EM secundariamente progressiva atua da mesma forma que a remitente-recorrente, todavia, as pessoas têm déficits neurológicos sem qualquer remissão das lesões, a doença piora de forma constante. Metade das pessoas que com EM remitente-recorrente desenvolvem a EM secundariamente progressiva.

Os sintomas mais comuns podem aparecer de forma isolada e conjunto, são eles a neurite óptica, paresia ou parestesia de membros, disfunções da coordenação e equilíbrio, mielites, disfunções esfincterianas e disfunções cognitivo-comportamentais, de forma isolada ou em conjunto.

A identificação e tratamento da EM depende do subtipo da doença, de características individuais como o sexo, idade e sintomas iniciais, e do grau de incapacidade que afeta essa pessoa.

Segundo a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla – ABEM, a doença atinge cerca de 35 mil pessoas no país, e 2,5 milhões no mundo. Os tratamentos existentes têm por objetivo a redução da atividade da doença para impedir que a incapacidade progrida.

Ocrelizumabe

De acordo com o site do fabricante o ocrelizumabe é o primeiro e único medicamento que obteve aprovação para o tratamento da esclerose múltipla de pacientes com formas recorrentes de esclerose múltipla (EMR) e de pacientes com esclerose múltipla primária progressiva (EMPP).

Trata-se de um anticorpo monoclonal humanizado recombinante desenvolvido para atuar em um tipo específico de célula imunológica que determina danos à mielina (substância responsável pelo isolamento e suporte de células nervosas) e danos axonais (células nervosas). Com base em estudos laboratoriais, o remédio mantém preservadas funções importantes do sistema imunológico, como a formação de anticorpos.

O medicamento é disponibilizado na forma de injeção e por isso deve ser aplicado no hospital, em razão da possibilidade de reações adversas.

O remédio custa cerca de R$ 38 mil, todavia, é disponibilizado gratuitamente na rede pública de saúde (SUS).

Efeitos colaterais

De acordo com a bula do remédio, os efeitos colaterais mais comuns são infeção das vias respiratórias, irritação no nariz e garganta e sintomas de gripe. Também podem ocorrer infecções em outras regiões do corpo.

Na primeira dose, podem surgir outras reações mais graves, tais quais, coceira, urticária, erupção cutânea, vermelhidão, falta de ar, pressão baixa, febre, fadiga, dor de cabeça, tonturas, náuseas e aumento dos batimentos cardíacos.

A Roche Farmacêutica

A Roche é uma empresa fundada em 1896, com atuação em diversos países, dentre eles o Brasil. 

A farmacêutica é considerada a maior empresa de biotecnologia do mundo, com disponibilização de medicamentos específicos nas áreas de oncologia, imunologia, infectologia, oftalmologia e doenças do sistema nervoso central.

A Roche é acionista majoritária da Chugai Pharmaceutical, no Japão. Para mais informações, visite www.roche.com.br.

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