O projeto ainda está em fase de desenvolvimento, mas já apresentou resultados satisfatórios.

“Hoje foi um dia muito emocionante. Uma paciente que fez apenas oito sessões e não tinha função nenhuma, conseguiu movimentar o braço dela”.

Afirma a educadora física Isabela Alves Marques, que está cuidando de um tratamento para pessoas com sequelas nos braços após terem sido acometidas por Acidente Vascular Cerebral (AVC).

De acordo com a educadora, para esse tipo de caso, os resultados só começam a aparecer depois de 12 sessões. No entanto, a paciente, uma mulher de 34 anos que sofreu um AVC em 2018, demonstrou um movimento voluntário com apenas oito sessões.

O que é o AVC?

O AVC possui duas formas:

  • O Acidente Vascular Cerebral Isquêmico (AVCI), o mais comum, é causado pela falta de sangue em determinada área do cérebro, decorrente da obstrução de uma artéria.
  • O Acidente Vascular Cerebral Hemorrágico (AVCH) é causado por sangramento devido ao rompimento de um vaso sanguíneo.

Nos dois tipos de AVC ocorre a perda das funções dos neurônios, causando os sinais e sintomas que dependerão da região do cérebro envolvida.

É a causa mais frequente de morte e incapacidades na população adulta brasileira.

Principais sintomas

Os sintomas do AVC ocorrem subitamente e podem ser únicos ou combinados, os mais comuns são:

  • Enfraquecimento, adormecimento ou paralisação da face, braço ou perna de um lado do corpo.
  • Alteração de visão: turvação ou perda da visão, especialmente de um olho; episódio de visão dupla; sensação de “sombra” sobre a linha da visão.
  • Dificuldade para falar ou entender o que os outros estão falando, mesmo que sejam as frases mais simples.
  • Tontura sem causa definida, desequilíbrio, falta de coordenação no andar ou queda súbita, geralmente acompanhada pelos sintomas acima descritos.
  • Dores de cabeça fortes e persistentes.
  • Dificuldade para engolir.

O tratamento

O jogo, que foi desenvolvido no Laboratório de Computação Gráfica da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), é objeto de uma pesquisa desenvolvida pela Isabela Alves Marques e pela equipe de pesquisadores Gabriel Cyrino, Júlia Tannús e Leandro Mattioli, com orientação dos professores Eduardo Lázaro Martins Naves e Edgard Afonso Lamounier Júnior, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica da Faculdade de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Uberlândia (Copel/Feelt/UFU).

O tratamento inclui 16 sessões, com duração de 30 a 45 minutos, em que o paciente irá movimentar os braços conforme interage com o jogo.

Para participar é necessário que o paciente tenha uma rigidez que não permite o esticamento total em um dos braços, após ter sofrido um AVC.

“Queremos ver se o jogo influencia no controle motor de uma pessoa que sofreu AVC. O paciente tem uma contração involuntária do braço, acarretando em dor e o inabilita para desenvolver as atividades que fazia costumeiramente. Estamos dando o jogo para que o cérebro reaprenda essa função e pessoa volte a fazer os movimentos. Depois, vamos quantificar isso”, explicou Isabela.

Gabriel Cyrino, um dos pesquisadores do estudo, afirmou:

 “Os jogos eram usados para diversão, mas com a mesclagem no âmbito fisioterapêutico conseguimos uma melhoria bastante interessante. Com os movimentos massantes que o paciente têm que fazer na fisioterapia, ele pode ter um desgaste maior ou desmotivar. Por isso, a gente decidiu desenvolver um jogo para auxiliar na reabilitação de membros superiores em pacientes que sofreram AVC.”

Os pesquisadores esperam que o tratamento ajude muitas pessoas e seja acessível a todos os públicos. No momento, o sensor utilizado para se jogar remotamente custa R$ 50.

A ideia é que o jogo seja disponibilizado no site da UFU e a equipe médica acompanhe as ações dos pacientes em tempo real, assim, a melhor alternativa seria focar em parcerias.

A pesquisadora Isabela disse ter desenvolvido o projeto com finalidade de devolver ao público o estudo que foi pago por ele, se referindo ao fato de a tese estar sendo desenvolvida em uma universidade pública.

Como jogar?

O jogo acontece em uma floresta tropical onde o paciente controla uma harpia, pássaro bem parecido com uma águia.

No cenário existem outros animais, como crocodilo, tigre, pássaros e cobras, que servem de desafio no jogo.

“Ele vai primeiro realizar movimentos simples de virar à direita, esquerda, subir e descer e, depois movimentos mais complexos”, explicou Marques, demonstrando o cuidado de não impor aos pacientes desafios desanimadores.

O jogo é controlado por meio de um aparelho chamado Myo. O equipamento consegue capturar os movimentos do braço do paciente, sendo possível regular sua precisão.

O interessante é que no jogo, não há perdedores, nem game over. Os dados são analisados e levantados o percentual de melhora de cada paciente. Depois, os resultados relativos à reabilitação e quantificação dos dados irão compor a tese da doutoranda.

O pesquisador Cyrino focará nas informações sobre o impacto do jogo na reabilitação dos membros superiores. Os atendimentos serão realizados no Núcleo de Tecnologia Assistiva (NTA), no Campus Santa Mônica da UFU.